terça-feira, 28 de outubro de 2014

Efeitos dos exercícios físicos sobres estados de ansiedade: uma abordagem bioquímica.



Essa postagem visa abordar os afeitos dos exercícios físicos no tratamento da ansiedade a partir das adaptações bioquímicas do organismo em decorrência dos exercícios físicos.

Fonte: http://www.igospel.org.br
O que é ansiedade ?

A ansiedade se dar pela relação existente entre a pessoa, o ambiente ameaçador e os processos neurofisiológicos decorrentes dessa relação. A ansiedade se manifesta na ocorrência de uma condição aversiva, algum grau de incerteza ou dúvida e alguma forma de impotência do organismo em uma dada situação. A patologia é definida a partir do momento em que o sofrimento provocado pela ansiedade trouxer prejuízo à pessoa em função dos comportamentos de fuga e esquiva de situações importantes da vida acadêmica, social e profissional do indivíduo.


Fonte: https://www.google.com.br/search
Efeitos dos exercícios físicos sobre estados de ansiedade

         Os principais trabalhos1,2 que buscaram respostas nesse intento, o fizeram com pacientes com síndrome do pânico, na maioria das vezes, dividindo-os em três grupos: o grupo que usava placebo, outro que usava alguma medicação para tratamento da síndrome, e outro que somente praticava exercício físico. Como resultado, os pacientes que usavam o medicamento obtiveram mais expressiva redução da ansiedade, seguidos dos que praticavam atividade física, e por último, o grupo que usava placebo obtiveram a menor redução do nível de ansiedade.
            Os resultados de Stein et al indicaram que na situação de repouso, os pacientes com transtorno do pânico apresentaram escores mais elevados que o grupo controle na frequência cardíaca, na medida de piruvato e nos parâmetros psicológicos (sensação de fraqueza, medo em geral, tontura, confusão mental, dor no peito e incapacidade para o trabalho)
            Em outros3 experimentos, ficou caracterizado que a presença do lactato em grande quantidade está relacionada com maior nível de ansiedade. O lactado é produzido pelo estresse físico, e pode exceder a capacidade de sua eliminação do organismo, o que pode provocar um efeito inverso que aumente a ansiedade do indivíduo. O nível de produção do lactato tem uma relação direta com o tipo de exercício, se aeróbico ou anaeróbico, bem como suas intensidades. Os exercícios aeróbicos moderados, não excedem o limiar de lactato, portanto sendo benéficos no controle da ansiedade. Com os exercícios anaeróbicos intervalados, como os exercícios de força, há maior produção de lactato, ultrapassando o limiar, o que provoca um incremento importante na ansiedade. Ou seja, os exercícios aeróbicos e moderados possuem respostas positivas no controle da ansiedade.
            A partir dessas informações, conclui-se que os exercícios físicos, que não ultrapassem o limiar de lactato, podem ser aliados ao tratamento medicamentoso para pacientes com ansiedade patológica. Por outro lado, são importantes também para melhoria da ansiedade não patológica, trazendo benefícios psicológicos positivos para indivíduos sadios.

Referência 
  1. Stein JM, Papp LA, Klein DF, Cohen S, Simon J, Ross D, Martinez J, Gorman JM. Exercise tolerance in panic disorder patients. Biol Psychiatry. 1992; 
  1. Araújo SRC, Mello MT, Leite JR. Transtorno de ansiedade e exercício físico. Revista Brasileira de Psiquiatria, 2007; 
  1. Broocks A, Meyer TF, Bandelow B, George A, Bartmann U, Ruther E, Hillmer-Vogel U. Exercise avoidance and impaired endurance capacity in patients with panic disorder. Neuropsychobiology.1997. 

  1. Braga JEF, Pordeus LC, Silva ATMC, Pimenta FCF, Diniz MFFM, Almeida RN. Ansiedade Patológica: Bases Neurais e Avanços na Abordagem Psicofarmacológica. Rev. Bras ci saúde, 2010.

8 comentários:

  1. Achei muito interessante a postagem, principalmente pelo fato de os exercícios físicos se constituírem em um importante aliado dos médicos no tratamento de pessoas com ansiedade, além de reiterar os benefícios da atividade física para um vida saudável, afinal "Ao praticar uma atividade física, a mente fica desligada temporariamente das angústias do dia a dia, além de liberar a adrenalina, cortisol e glucagon. Eles agem proporcionando a redução do estresse, aumentando a sensação de bem estar e melhorando a qualidade do sono". Além disso, evidências mostram que o exercício contribui para a saúde do cérebro, sendo provavelmente assim que ele afeta esses comportamentos emocionais e consequentemente as funções cerebrais. Desse modo, é essencial para a melhora da saúde dos brasileiros o estímulo à prática de atividades físicas, por meio de campanhas, instalação de academias públicas e o incentivo ao esporte.

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    1. Referências:
      http://bemstar.globo.com/sa/index.php?tipo=2&sa=materias&t=2&id_mat=990
      http://www2.uol.com.br/vyaestelar/atividade_fisica_regular_diminui_sintomas_de_depressao.htm

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  2. A forma mais comum de tratar a ansiedade é a prática de exercícios físicos. Praticar exercícios físicos ajuda a lidar com estados de ansiedade porque eleva a produção de serotonina, substância que aumenta a sensação de prazer. Segundo o cardiologista José Kawazoe Lazzoli, presidente da Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte (SBME), é que a serotonina, uma das substâncias produzidas pelo sistema nervoso, "faz parte do mecanismo de ação de diversos medicamentos antidepressivos". "A falta desse neurotransmissor é uma das principais causas da depressão". Caminhar três vezes por semana, por pelo menos meia hora, já pode ajudar a lidar com a ansiedade. O momento da caminhada, além de ser um exercício para o corpo, também pode ser aproveitado para trabalhar a mente, sob a forma da meditação ativa. Assim atividades aeróbicas leves, como as caminhadas, que não ultrapassa o limiar do lactato, são bons remédios para combater a ansiedade.

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  3. Os exercícios físicos aeróbios são os mais indicados para promover melhora da aptidão física e dos sintomas normalmente observados na ansiedade generalizada, mas desde que prescritos no limiar ventilatório 1 com um volume (tempo ou distância) baixo ou moderado, ou seja, sem ultrapassar o limiar de lactato, aplicados na forma de um programa de treinamento físico aeróbio progressivo e controlado. Portanto, devem ser acompanhados de monitoramento da intensidade do exercício de acordo com o nível de aptidão física de cada indivíduo, além de avaliação clínica e psiquiátrica regular.

    fonte: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-44462007000200015

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  4. Nos últimos anos, o avanço tecnológico, assim como as pressões sociais, políticas e econômicas, tem contribuído para o aumento de problemas mentais de ordem emocional. Visto a presença do problema, estudos começaram a ser realizados no sentido de relacionar de forma positiva a prática de exercícios no controle da ansiedade. Ocorre que a prática regular de exercícios físicos aeróbios pode produzir efeitos antidepressivos e ansiolíticos e proteger o organismo dos efeitos prejudiciais do estresse na saúde física e mental.Em sua maioria, os estudos que abordaram os efeitos do exercício físico sobre a ansiedade, até meados da década de 90, priorizaram investigações de variáveis isoladas, ora relacionadas a componentes fisiológicos e de aptidão física, ora a componentes psicológicos, tanto em indivíduos com ansiedade patológica como em indivíduos sem problemas de saúde ou, ainda, em atletas do âmbito profissional. Brown, Morgan e Raglin, buscaram estudar componentes fisiológicos utilizando cicloergometria para avaliar os efeitos da atividade física nos níveis de ansiedade e pressão arterial de indivíduos normotensos e hipertensos. Os pesquisadores concluíram que os exercícios físicos aeróbios produziram redução da ansiedade com resultados similares às estratégias de meditação e relaxamento; já em relação aos ajustes da pressão arterial, não houve alterações significativas. Apesar de não terem avaliado componentes de aptidão física, um importante fato observado foi relacionado aos indivíduos expressarem, antes do estudo, seus sentimentos de frustração em relação à sua condição física limitada.De forma semelhante, outro estudo foi realizado para ava-liar ansiedade-estado e variações na pressão arterial em função do exercício físico de resistência em cicloergômetro (aeróbio) e do exercício de força (anaeróbio). Os resultados apresentaram associação entre diminuição da ansiedade e da pressão arterial com o exercício aeróbio agudo, mas não com os exercícios de força,36 sendo que a avaliação foi realizada com atletas colegiais. Este resultado corroborou com um estudo realizado através de metanálise, na qual os autores concluíram que os exercícios aeróbios promovem efeitos benéficos na redução da ansiedade e que este tipo de exercício é superior aos não aeróbios no que se refere à ansiedade. A partir desta hipótese de que os exercícios aeróbios podem favorecer a diminuição da ansiedade mais que os exercícios anaeróbios, Altchiler e Motta, em 1994, avaliaram dois grupos de indivíduos sem problemas de saúde que participaram de um programa de oito semanas de exercícios, sendo um aeróbio e um anaeróbio, e também confirmaram a superioridade dos exercícios físicos aeróbios sobre os anaeróbios na redução da ansiedade traço-estado, mas sem alteração na freqüência cardíaca de repouso. Já O'Connor et al., em 1995, utilizaram teste de exercício máximo em bicicleta ergométrica para avaliar a resposta na ansiedade-estado e na aptidão física em pessoas sem problemas de ansiedade patológica. Avaliaram três grupos diferentes (treinados, praticantes de exercício regular, mas com baixo nível de aptidão física, e sedentários), que participaram de um programa de treinamento de resistência durante oito semanas, e compararam os resultados obtidos no teste pré e pós-exercício. Os autores concluíram que o teste de exercício máximo pode estar associado a sentimentos desagradáveis de ansiedade nos primeiros cinco minutos após o teste e que se tornam positivos após 15 a 20 minutos. De qualquer forma, relataram que a resposta encontrada é transitória e depende muito dos níveis de ansiedade obtidos no pré-teste. Em contraposição, Broman-Fulks et al. verificaram resposta mais rápida em relação à redução da ansiedade geral quando submeteram 29 indivíduos com ansiedade elevada a exercício aeróbio de alta intensidade e 25 indivíduos a exercício aeróbio de baixa intensidade.

    http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-44462007000200015

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  5. A ansiedade exagerada é um mal que atinge milhões de pessoas em todo o mundo. Em doses pequenas, ela é necessária para garantir a nossa sobrevivência, assim como o medo e o estresse. O problema é quando ela se torna excessiva , desencadeando sintomas físicos como taquicardia, sudorese (transpiração excessiva), tremores, tensão muscular, diarréia e dor de cabeça.É que a atividade física regula várias atividades hormonais em nosso organismo e ajuda nas produções dos neurotransmissores acetilcolina, endorfina, dopamina, noradrenalina e serotonina, responsáveis pela sensação de prazer. Com níveis mais altos destas substâncias, ficamos mais tranquilos e, consequentemente, menos ansiosos. Além disso, o esporte incentiva seus praticantes a ter hábitos mais saudáveis, como dormir e se alimentar melhor. Por outro lado, o nível de lactato indica o nível de estresse, a partir do momento que o exercício físico ultrapassa o limite de lactato, a pessoa fica ansiosa. Portanto, praticar atividade física como o esporte traz inúmeras vantagens como melhor qualidade de vida, com menos ansiedade.

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  6. A postagem foi muito interessante, pois tratou de um tema ligado fortemente à Bioquímica e à saúde da população que é a ansiedade, e que, em sentido amplo, caracteriza-se por uma resposta natural do organismo para determinada ameaça ou perigo iminente, sendo geralmente gerada por uma combinação de processos bioquímicos no interior do corpo humano, bem como a situação social e os antecedentes pessoais de um indivíduo. Podendo ser originada por processos químicos do corpo, medicamentos, (como agentes psicotrópicos, para asma, pílulas anticoncepcionais, anti-hipertensivos e etc), situações da vida do paciente, doenças, (como a Síndrome de Cushing, Síndrome da angústia respiratória, e angina), e até fatores ambientais, a ansiedade possui entre seus sintomas físicos usuais, dores de cabeça, náuseas, diarréia, tontura e palidez, podendo ainda apresentar sintomas emocionais, cognitivos e comportamentais. Dependendo do tipo de ansiedade, vários medicamentos podem ser usados como: Benzodiazepínicos, benzodiazepinas incluindo (Valium, Librium, e Ativan), antidepressivos, (incluindo Prosac, Paxil, Lexpro, Efexol, e Zoloft), e etc...
    Entretanto, algumas outras medidas, como muito bem mostrou o texto, podem ser tomadas para diminuir tal problema como a prática de exercícios físicos, boa alimentação e práticas de Ioga, por exemplo.
    Por esse motivo, fazem-se muito importantes obras governamentais que incentivem o esporte e a prática de exercícios, como as quadras e campos públicos, faixas exclusivas para bicicletas, pistas de skate e etc., além das academias públicas, que, além de garantir a saúde em geral, ajuda a diminuir os sintomas da ansiedade, que, atualmente, atinge tantas pessoas. Aguardo ansiosamente novas postagens.

    Referências:
    http://centrodeartigo.com/saude/artigo-667.html
    http://www.minhavida.com.br/saude/temas/ansiedade

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  7. Já é sabido dos praticantes de atividade fisica as contribuições do exercício na produção de bem estar e redução da ansiedade nessa população. Isso ocorre devido à liberação de diversas substâncias no organismo. Interessante o texto citar que o exercício aeróbico é o melhor na redução da ansiedade. A atividade física possui diversos benefícios que vão além, como a redução de peso e do risco de desenvolvimento de doenças cardiovasculares.

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