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| FONTE: http://www.sncsalvador.com.br/mais-noticias/617-bcaa- exercicio-fisico-e-sistema-imune.html |
A prática regular de exercícios provoca
alterações metabólicas no organismo, que induz respostas no sentido de
preservar o equilíbrio homeostático, denominadas adaptações fisiológicas e morfológicas,
sendo que a modulação imunológica inclui-se no primeiro grupo.
Entendendo o sistema imunológico
O sistema imunológico é dividido em dois grandes
ramos: o sistema inato e o adaptativo. O sistema inato caracteriza-se por
responder aos estímulos de maneira não específica, enquanto que o sistema imune
adaptativo desenvolve respostas específicas aos antígenos, apresentando
memória. O primeiro é composto por células como neutrófilos, eosinófilos,
basófilos, monócitos, células natural killer, responsáveis por destruir vírus e
até tumores no organismo, e por fatores solúveis, compreendendo nestes, o
sistema complemento, proteínas de fase aguda e enzimas. O segundo é composto
por células como linfócitos T e B, e por fatores humorais, as imunoglobulinas.
Exercício e imunidade
Diferentes tipos de exercícios provocam
respostas distintas no sistema imunológico. O exercício físico regular melhora
a capacidade de defesa, enquanto que o treinamento intenso causa
imunossupressão. Os mecanismos subjacentes estão relacionados à comunicação
entre os sistemas endócrino, nervoso e imunológico, sugerindo vias autonômicas
e modulação da resposta imune. Células do sistema imune, quando expostas a pequenas
cargas de estresse, desenvolvem mecanismos de tolerância.
O exercício físico intenso pode induzir
inibição de muitos aspectos da defesa do organismo, incluindo atividade das
células natural Killer, a resposta proliferativa dos linfócitos e a produção de
anticorpos pelos plasmócitos. Estas alterações comprometem a defesa do
organismo contra agentes infecciosos e oncogênicos, assim como nos processos
alérgicos e na autoimunidade.
O período em torno de 30 minutos após a
atividade intensa, há aumento significativo de neutrófilos, monócitos,
linfócitos, células Killer e imunoglobulinas, mediado por ação de cortisol,
epinefrina, prolactina e tiroxina, que são aumentados durante o estresse
físico. Entretanto, resguardadas as controvérsias, em pouco tempo, os níveis
séricos desses produtos do sistema imune estão 40 a 50% mais baixo em relação
ao conteúdo antes do exercício.
Por outro lado, o exercício moderado e
regular parece estar associado ao aumento da função dos leucócitos. As
pesquisas indicam que esse nível de atividade física auxilia na quimiotaxia,
desgranulação, fagocitose, e resulta em melhoras nos mecanismos de defesa antioxidante,
protegendo as células imunes de lesões que poderiam levar à sua morte.
Essa constatação pode estar relacionada também
com a preservação da glutamina que, nesse padrão de exercício, é poupada do
desgaste extenuante. A presença da glutamina tem sido associada ao melhor
desempenho do sistema imunológico.
O exercício moderado está associado a redução
de episódios de infecção bacterianas, virais e também menor incidência de
neoplasias, possivelmente decorrente da melhoria de função de neutrófilo, macrófago
e célular natural Killer.
Portanto, dependendo de como e quando são realizados os exercícios, as respostas adaptativas são positivas, ou não, para o indivíduo. Os exercícios executados com moderação e com regularidade, têm evidenciado um incremento na resposta imunológica, de forma que o indivíduo fica menos propenso a contrair agente infecciosos, e até mesmo mais protegido contra lesões malignas.
Portanto, dependendo de como e quando são realizados os exercícios, as respostas adaptativas são positivas, ou não, para o indivíduo. Os exercícios executados com moderação e com regularidade, têm evidenciado um incremento na resposta imunológica, de forma que o indivíduo fica menos propenso a contrair agente infecciosos, e até mesmo mais protegido contra lesões malignas.
Referências
Vieira, AK. Alterações hormonais, imunológicas e fisiológicas durante
o estado de overtraining. Revista Brasileira de Nutrição esportiva. São Paulo,
2007. Acessado em 18/10/2014.
Leandro CG, Castro RM, Nascimento E, Pitoh-Curi TC, Curi R.
Mecanismos adaptativos do sistema
imunológico em resposta ao treinamento físico. Rev Bras Med esporte, 2007.
Acessado em 17/10/2014.
Rosa LFPBC, Vaisberg MW. Influência do exercício na resposta
imune. Rev Bras Med esporte, 2007. Acessado em 17/10/2014.
Cruzat VF, Petry ER, Tirapegui J.
Glutamina: aspectos bioquímicos, metabólicos, moleculares e suplementação. Rev
Bras Med esporte, 2007. Acessado em 17/10/2014.

É interessante perceber como a intensidade do exercício físico pode influir na atuação do sistema imunológico corporal. Nesse sentido, a atividade moderada estimula a produção de imunoglobulinas de adaptação, ou seja, de memória, o corpo vai estar mais preparado para enfrentar uma infecção. Já a atividade intensa inibe a defesa por sistema imune inato, ou seja, que estão "prontas para agir", causa uma imunodepressão. O exercício de alta intensidade está associado à lesão de células musculares e, por consequência, ao aparecimento da chamada resposta de fase aguda, que envolve o sistema do complemento, neutrófilos, macrófagos, citocinas e proteínas de fase aguda, que perdura por dias e, provavelmente, tem a finalidade de eliminar tecido lesado. É relatado aumento de proteínas de fase aguda, como α1-antitripsina, elastase e neopterina. Além disso, a liberação de epinefrina e corisol no exercício intenso acarreta menor produção de linfócitos e leucócitos.O exercício de média intensidade está associado a diminuição de episódios de infecção, possivelmente decorrente da melhoria de funções de neutrófilo, macrófago e células NK. Porém, o exercício, quando praticado além de determinado limite, se associa a aumento da incidência de doenças infecciosas, notadamente das vias aéreas superiores.
ResponderExcluirreferencia: http://www.scielo.br/pdf/rbme/v8n4/v8n4a06.pdf
É notório observar a relação direta entre a carga do exercício físico e o funcionamento do sistema imunológico, visto que atividades físicas muito intensas acabam por comprometê-lo induzindo à inibição de muitos aspectos da defesa do organismo, o que diminui o grau da defesa do sistema imune contra agentes infecciosos, ao contrario de atividades físicas mais moderadas que ajudam a aumentar a função dos leucócitos e preservar glutamina. Em relação a este aminoácido se houver aumento da sua taxa de consumo ou até mesmo se a produção e liberação pelo músculo estiverem excessivamente diminuídas, poderá haver comprometimento da função imune. Nessas condições, a glutamina é considerada um aminoácido “condicionalmente essencial''. O treinamento tem como característica estimular adaptações morfológicas e metabólicas nos músculos esqueléticos e alterar a mobilização e utilização de substratos energéticos.Tais alterações geralmente trazem benefícios para o desempenho e saúde do atleta; entretanto, podem também interferir no equilíbrio metabólico e endócrino e prejudicar alguns sistemas, como o imunológico, como foi muito bem abordado.
ResponderExcluirReferência: http://www.scielo.br/pdf/rbme/v6n3/v6n3a06.pdf
Vivemos um momento em que a busca da saúde se torna algo primordial, devendo prevalecer inclusive sobre os aspectos de rendimento e estética que o exercício físico pode proporcionar.
ResponderExcluirRecentemente tem-se noticiado a respeito do câncer linfático que ocorre mesmo em pessoas com estilos de vida saudável e rotina de atividades físicas. Alguns profissionais tem feito a ligação entre exercícios intensos e possível estresse no sistema imunológico podendo assim progredir para um câncer. A imunologia do exercício necessita prontamente de futuras investigações devido à redução funcional de células imunes, que podem ocorrer em indivíduos sedentários que se submetem a sessões agudas de exercício, em alguns momentos, sem orientação profissional e/ou com treinamentos inadequados, com relação à intensidade e duração que podem extrapolar suas limitações físicas. Finalmente os efeitos positivos e negativos, crônicos e agudos do exercício, em diferentes intensidades sobre o sistema imune precisam ser melhor elucidados. Proporcionar a prática de treinamento físico com benefícios e promoção da saúde, tanto em atletas como em indivíduos sedentários, é de primordial importância para os profissionais da área da fisiologia do exercício.
Fonte: http://seer.uscs.edu.br/index.php/revista_ciencias_saude/article/view/448/301
A prática esportiva contribui para inúmeros benefícios e isso é fato percebido por todos, até mesmo pelos leigos. A atividade física torna-se então um fator de suma importância para a melhoria e manutenção da qualidade de vida da população, pois possui efeitos na redução de peso, proporcionando a prevenção de diversas doenças, melhora o estado imunológico (como o texto mostrou), e também efeitos na área emocional, provocando bem-estar, reduzindo o estresse e proporcionando lazer às pessoas. E nos dias atuais, com o aumento da expectativa de vida da população, as pessoas estão vivendo cada vez mais e pretendem ter não só uma vida longa, mas uma vida longa e com qualidade! Assim a atividade física vem ganhando cada vez mais adeptos.
ResponderExcluirAchei o assunto do post muito interessante, principalmente por mostrar que, mesmo ao fazer exercícios físicos na busca por uma vida mais saudável, a moderação é sempre o melhor caminho. Vale ressaltar a importância desses conhecimentos no caso de pacientes com vigorexia ou "transtorno dismórfico muscular, um subtipo do transtorno dismórfico corporal, um distúrbio já classificado como uma das manifestações do espectro do transtorno obsessivo-compulsivo. (...) A autoimagem distorcida leva os portadores de vigorexia à prática exagerada de exercícios físicos, em busca do corpo perfeito de acordo com os padrões de beleza impostos pelos valores da sociedade contemporânea." Nesses casos o surgimento de doenças devido à problemas no sistema imunológico é comum, já que, como foi dito, o treinamento intenso causa uma imunossupressão. Logo, é necessária uma atenção especial dos profissionais de saúde quanto à essa doença, cada vez mais presente, e aos problemas imunológicos que podem estar associados à mesma.
ResponderExcluirReferência: http://drauziovarella.com.br/letras/v/vigorexia/
http://ibnionline.com.br/vigorexia-um-transtorno-em-ascensao/
A postagem foi muito interessante, pois trabalhou de qual forma a atividade física contribui para o melhor funcionamento do nosso sistema imunológico. Sobre este assunto, é importante ressaltar que a intensidade, a duração e o tipo de exercício determinam as alterações que poderão ocorrer durante e após o esforço. Em uma resposta aguda, ao exercício, os sistemas imunológico e neuroendócrino interagem através de sinais moleculares na forma de hormonas, citocinas e neurotransmissores, constatando-se assim, a existência de um verdadeiro sistema de inter e intra-comunicação que participa como um todo, na coordenação, integração, e regulação dos eventos durante um esforço físico. É importante também ressaltar que a moderação e a regularidade ao praticar um exercício físico é muito importante já que ajuda a manter as barreiras imunes do nosso corpo, ao invés do exercício pesado, que pelo contrário, as deixas mais vulneráveis, causando a imunossupressão, e enfraquecendo-as contra infecções. Portanto, faz-se muito importante a prática correta de exercícios físicos, que devem sempre ser feitas com dicas de profissionais adequados, para que exageros sejam cortados, e o modo de fazer uma atividade física saudável, esclarecido, influindo assim no sistema imunológico, como foi muito bem retratado no texto, como também prevenindo outros problemas decorrentes do esforço físico exagerado como tremores, movimentos involuntários, cansaço extremo e dores musculares. Aguardo novas postagens sobre esse assunto.
ResponderExcluirFonte:
http://www.personalclub.com.br/images/upload/Exercicio_fisico_e_sistema_imunologico.pdf
http://www.tuasaude.com/excesso-de-exercicio-fisico-faz-mal/
Estudos observaram que, exercícios físicos intensos e de curta duração elevaram o número total de leucócitos no sangue numa relação diretamente proporcional à intensidade do exercício, sendo que, este aumento ocorre principalmente na
ResponderExcluirsérie granulocítica e em especial nos poliformonucleares. O número de monócitos e de linfócitos também aumenta, mas em menor escala. Dentre a subpopulação de
linfócitos, as células “Destruidoras Naturais” (NK) são as que mais aumentam. Um dos mecanismos propostos para explicar esta linfocitose passageira, pode ser em decorrência dos efeitos da adrenalina induzida pelo exercício. O número de linfócitos começa a diminuir cinco minutos após o término do exercício, provavelmente devido ao efeito persistente do cortisol liberado durante o mesmo, diferentemente da adrenalina que decresce logo após o fim do exercício físico. Em geral, quatro a seis horas depois de encerrado o exercício físico e, com certeza após 24 horas de repouso, o número de linfócitos circulantes retorna aos valores basais. Com relação à função dos demais linfócitos, foi observado também que o cortisol pode reduzir a capacidade mitogênica, nas primeiras horas após
o término do exercício físico.
seer.uscs.edu.br/index.php/revista_ciencias_saude/article/.../448/301