sábado, 8 de novembro de 2014

ADAPTAÇÕES BIOQUÍMICAS E FUNÇÕES COGNITIVAS



Nessa postagem vou associar as alterações bioquímicas decorrentes da prática de exercícios físicos com a cognição do indivíduo. As últimas postagens vêm tomando esse corpo, uma abordagem bioquímica que busca compreender os efeitos biomoleculares sobre o organismo humano no âmbito psicológico decorrentes das práticas de exercícios físicos. As vantagens são muitas, quase todas positivas e protetivas.
Recentemente, a melhoria da função cognitiva associada a exercícios físicos tem ganhado notoriedade. Embora haja grande controvérsia, diversos estudos têm demonstrado que o exercício físico melhora e protege a função cerebral, sugerindo que pessoas fisicamente ativas apresentam menor risco de serem acometidas por desordens mentais em relação às sedentárias. Isso mostra que a participação em programas de exercícios físicos exercem benefícios nas esferas física e psicológica e que, provavelmente, indivíduos fisicamente ativos possuem um processamento cognitivo mais rápido.


O QUE É COGNIÇÃO?

Entende-se por função cognitiva ou sistema funcional cognitivo as fases do processo de informação, como percepção, aprendizagem, memória, atenção, vigilância, raciocínio e solução de problemas. Além disso, o funcionamento psicomotor (tempo de reação, tempo de movimento, velocidade de desempenho) tem sido frequentemente incluído neste conceito1, 2.
Diversos fatores concorrem para os déficits cognitivos. Colcombe et al. 3 encontraram declínios importantes na densidade de tecidos neurais em função do envelhecimento no córtex frontal, parietal e temporal. Isso pode ser justificado em razão de uma quebra do equilíbrio entre a lesão e o reparo neuronal. O cérebro é sensível a inúmeros fatores que resultam em danos às redes neurais. De forma similar aos outros tecidos, ele possui a capacidade de auto-reparação/auto-adaptação, ou mesmo uma compensação pela perda de neurônios e interrupções na arquitetura neural. Quando ocorre um desequilíbrio entre lesão neuronal e reparação, essa capacidade de plasticidade neuronal é prejudicada, estabelecendo-se então o envelhecimento cerebral e a demência.
 Ao longo da última década foram identificados alguns fatores de risco que podem aumentar a predisposição de um indivíduo ao prejuízo cognitivo. Dentre esses fatores destacam-se idade, gênero, histórico familiar, trauma craniano, nível educacional, tabagismo, etilismo, estresse mental, aspectos nutricionais e socialização. Mais recentemente, fatores que podem ser revertidos ou atenuados pelo exercício físico, tais como as doenças crônico-degenerativas, hipercolesterolemia e aumento na concentração plasmática de fibrinogênio e o sedentarismo, estão sendo associados ao maior risco de declínio cognitivo.


ADAPTAÇÕES BIOQUÍMICAS E FUNÇÕES
COGNITIVAS

A ação do exercício físico sobre a função cognitiva pode ser direta ou indireta. Os mecanismos que agem diretamente aumentando a velocidade do processamento cognitivo seriam uma melhora na circulação cerebral e alteração na síntese e degradação de neurotransmissores. Além dos mecanismos diretos, outros, tais como diminuição da pressão arterial, decréscimo dos níveis de LDL e triglicérides no plasma sanguíneo e inibição da agregação plaquetária parecem agir indiretamente, melhorando essas funções e também a capacidade funcional geral, refletindo-se desta maneira no aumento da qualidade de vida.4
Além disso, estudiosos têm sugerido alguns mecanismos que seriam responsáveis por mediar os efeitos do exercício sobre as funções cognitivas. Para a síntese, ação e metabolismo de neurotransmissores, é indispensável o aporte de quantidades adequadas de substratos para essas reações. Dessa forma acredita-se que o exercício físico poderia aumentar o fluxo sanguíneo cerebral e, conseqüentemente, de oxigênio e outros substratos energéticos, proporcionando assim a melhora da função cognitiva. Outra hipótese que tem sido formulada diz respeito aos efeitos do estresse oxidativo sobre o SNC, de modo que a prática de exercício físico aeróbio poderia aumentar a atividade de enzimas antioxidantes de forma semelhante ao que acontece em outros tecidos, como no músculo esquelético, aumentando a capacidade de defesa contra os danos provocados por espécies reativas de oxigênio 5.
Também não pode ser descartada a hipótese de que o exercício físico, por si só, aumenta a liberação de diversos neurotransmissores, tais como aumento nas concentrações de norepinefrina e seus precursores, aumento nas concentração de serotonina e β-endorfinas após uma sessão aguda de exercício.
Alguns estudiosos defendem que durante o exercício físico a barreira hematoencefálica torna-se mais permeável a esses neurotransmissores séricos circulantes e a outros hormônios. Há ainda os que asseguram que a atividade física aumenta a produção de fatores neurotróficos no SNC que promovem a manutenção cerebral e a plasticidade neuronal, tornando a função cognitiva mais efetiva.
Como se ver, há variadas ideias sobre os processos bioquímicos adaptativos que colaboram para a cognição, entretanto os estudos ainda são inconclusivos, e muitos deles até conflitantes. Apesar disso, não há dúvida sobre os efeitos benéficos dos exercícios físicos para a cognição. Isso é o que se observa em estudos epidemiológicos que associam maior prevalência de doenças mentais, por exemplo, em pessoas sedentárias do que em pessoas moderadamente ativas7.

  
Referências


1. Chodzko-Zajko WJ, Moore KA. Physical fitness and cognitive functioning in ging. Exerc Sport Sci Rev 1994;22:195-220.

2. Suutuama T, Ruoppila I. Associations between cognitive functioning and physical activity in two 5-year follow-up studies of older finish persons. J Aging Phys Act 1998;6:169-83.

3. Colcombe SJ, Erickson KI, Raz N, Webb AG, Cohen NJ, McAuley E, et al. Aerobic fitness reduces brain tissue loss in aging humans. J Gerontol A Biol Sci Med Sci 2003;58:176-80.

4. McAuley E, Rudolph D. Physical activity, aging, and psychological well-being. J
Aging Phys Act 1995;3:67-96.                                                    

5. 12. Chodzko-Zajko WJ, Moore KA. Physical fitness and cognitive functioning in aging. Exerc Sport Sci Rev 1994;22:195-220.

6. Hanna KM,  Antunes, Ruth FS, Ricardo C,  Ronaldo VTS, Orlando FAB, Marco TM . Exercício físico e função cognitiva: uma revisão. Rev Bras Med Esporte Vol. 12, Nº 2 , 2006; 2: 108-114


7. Mello MT, Fernandez AC, Tufik S. Levantamento epidemiológico da prática de atividade física na cidade de São Paulo. Rev Bras Med Esporte 2000;6:119-24.

9 comentários:

  1. Como foi dito, o exercício físico age sobre a função cognitiva ao, por exemplo, melhorar a circulação do cérebro e a síntese e a degradação de neurotransmissores. Apesar das controvérsias, estudos epidemiológicos confirmam que pessoas moderadamente ativas têm menor risco de serem acometidas por disfunções mentais do que pessoas sedentárias, demonstrando que a participação em programas de exercício físico exerce benefícios, também, para funções cognitivas.Embora os benefícios cognitivos de um estilo de vida ativo pareçam estar relacionados aos níveis de atividades físicas exercidos durante toda a vida, sugerindo uma "reserva cognitiva", nunca é tarde para iniciar um programa de exercícios físicos. O uso do exercício físico como alternativa para melhorar a função cognitiva mostra-se relevante, especialmente por sua aplicabilidade, pois se trata de um método relativamente barato, que pode ser apresentado a grande parte da população. Todavia, deve-se ponderar sobre o exercício não somente como uma alternativa não medicamentosa, mas também como um coadjuvante.

    Fonte: http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1517-86922006000200011&script=sci_arttext

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  2. O exercício e o treinamento físico são conhecidos por promover diversas alterações, incluindo benefícios cardiorrespiratórios, aumento da densidade mineral óssea e diminuição do risco de doenças crônico-degenerativas.Embora haja grande controvérsia, diversos estudos têm demonstrado que o exercício físico melhora e protege a função cerebral, sugerindo que pessoas fisicamente ativas apresentam menor risco de serem acometidas por desordens mentais em relação às sedentárias. As funções cognitivas podem ser mais ativadas por diversas razões: aumento da pressão e de oxigenação do cérebros, aumenta a liberação de neurotransmissores assim como a abarreira hematopoiética fica mais permeável. Isso mostra que a participação em programas de exercícios físicos exercem benefícios nas esferas física e psicológica e que, provavelmente, indivíduos fisicamente ativos possuem um processamento cognitivo mais rápido. Embora os benefícios cognitivos do estilo de vida fisicamente ativo pareçam estar relacionados ao nível de atividade física regular, ou seja, exercício realizado durante toda a vida, sugerindo uma “reserva cognitiva”, nunca é tarde para se iniciar um programa de exercícios físicos. Dessa forma, o uso do exercício físico como alternativa para melhorar a função cognitiva parece ser um objetivo a ser alcançado, principalmente em virtude da sua aplicabilidade, pois se trata de um método relativamente barato, que pode ser direcionado a grande parte
    da população.

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  3. Embora haja grande controvérsia, diversos estudos têm demonstrado que o exercício físico melhora e protege a função cerebral, sugerindo que pessoas fisicamente ativas apresentam menor risco de serem acometidas por desordens mentais em relação às sedentárias. Isso mostra que a participação em programas de exercícios físicos exercem benefícios nas esferas física e psicológica e que, provavelmente, indivíduos fisicamente ativos possuem um processamento cognitivo mais rápido. Embora os benefícios cognitivos do estilo de vida fisicamente ativo pareçam estar relacionados ao nível de atividade física regular, ou seja, exercício realizado durante toda a vida, sugerindo uma “reserva cognitiva”, nunca é tarde para se iniciar um programa de exercícios físicos. Dessa forma, o uso do exercício físico como alternativa para melhorar a função cognitiva parece ser um objetivo a ser alcançado, principalmente em virtude da sua aplicabilidade, pois se trata de um método relativamente barato, que pode ser direcionado a grande parte da população.

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  4. Além dos benefícios fisiológicos da atividade física no organismo, as evidências mostram que existem alterações nas funções cognitivas dos indivíduos envolvidos em atividade física regular. Estas evidências sugerem que o processo cognitivo seria mais rápido e mais eficiente em indivíduos fisicamente ativos por mecanismos diretos: melhora na circulação cerebral, alteração na síntese e degradação de neurotransmissores ; e mecanismos indiretos como: diminuição da pressão arterial, diminuição nos níveis de LDL no plasma, diminuição dos níveis de triglicerídeos e inibição da agregação plaquetária. Dentre os efeitos psicológicos, a diminuição da tensão emocional pode ser considerada como um dos mais importantes e alguns dos seus mecanismos a curto prazo, como aumento do fluxo sanguíneo cortical, aumento da temperatura corporal e modificação nas ondas cerebrais, além de mecanismos de longo prazo, como alteração na transmissão sináptica e liberação opiódes endógenos.

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  5. A função cognitiva é definida como o processo intelectual pelo qual uma pessoa toma conhecimento das idéias, percebe-as e compreende-as. Envolve todos os aspectos da percepção, pensamento, raciocínio e memória. Os fatores de risco intimamente relacionados com a perda cognitiva são: idade, baixo nível educacional e sócio-econômico e a ausência de ocupação, sendo ainda importante, levar em consideração a existência de sintomas depressivos e ansiosos, pois eles também contribuem de forma significativa para a disfuncionalidade cognitiva. Em vista disso, o exercício físico parece ser uma boa saída para esse problema, pois a atividade física auxilia na manutenção da capacidade funcional do indivíduo, relacionando-se positivamente com aspectos fisiológicos, psicológicos e sociais, e evidências já apontam benefícios da atividade física na prevenção e tratamento de diversas doenças, especialmente as crônicas não-transmissíveis (WHO, 2007). Seguindo essa perspectiva, de melhoria integral das funções, certos autores sugerem que pessoas moderadamente ativas têm menor risco de ser acometidas por desordens mentais do que as sedentárias, mostrando que a participação em programas de exercícios físicos exerce benefícios na esfera física e psicológica. Além disso, é de grande importância a prática de atividade física habitual, isto é, exercício físico, para indivíduos de todas as idades e principalmente os idosos, pois, essa prática leva ao aumento da oxigenação cerebral o que contribui para melhoria das funções cognitivas, como também, diminui e/ou retarda o ritmo dos distúrbios que ocorrem nos processos cognitivos.
    No que concerne a tudo isso, faz-se muito importante para as funções cognitivas dos idosos e da população em geral, medidas governamentais encontradas em algumas cidades como locais adequados, seguros e aconchegantes para caminhada e práticas de exercícios, e academias em praças, acessíveis para todos. Aguardo novas postagens sobre o assunto.

    Fonte:
    http://www.efdeportes.com/efd118/as-influencias-da-pratica-de-atividade-fisica-nas-
    funcoes-cognitivas-em-idosos.htm

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  6. Muito interessante a abordagem sobre esse tema, já que a sociedade atual enfrenta os desafios do envelhecimento da população (ocasionado pelo aumento da expectativa de vida), com o aumento da presença de várias doenças degenerativas relacionadas à cognição. Nesse contexto, o estímulo à atividade física constante atenuaria muitos dos futuros problemas relacionados a essas doenças no Brasil. Vale acrescentar que, no caso dos esporte, além da melhora da saúde cognitiva por meios bioquímicos e fisiológicos, há estímulo do sistema funcional cognitivo no aprendizado das regras de um jogo ou das habilidades necessárias para seu desempenho, envolvendo memória, atenção e raciocínio.
    Referância: http://www.ib.usp.br/revista/node/159

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  7. Diante das possíveis trajetórias do envelhecer, em 1960 surgiu um novo termo na gerontologia – velhice bem-sucedida ou saudável – associado aos aspectos positivos da velhice. Os fatores que definem uma velhice bem-sucedida são a autonomia, a independência e o envolvimento ativo com a vida, a família, os amigos, o lazer e a sociedade. Além disso, o equilíbrio entre as limitações e as potencialidades do indivíduo é um aspecto relevante para a obtenção de uma velhice saudável (OKUMA, 2002). No que se refere ao aspecto físico, Fries (1990) afirma que as pessoas com idade acima de 70 anos podem ter suas reservas cognitivas aumentadas com exercícios aeróbicos e prática orientada de esportes. Evangelista et al. (2004) investigaram a influência da atividade física na capacidade funcional de idosos e verificaram melhora significativa na reabilitação de doenças cardíacas, circulatórias, osteoarticulares e respiratórias nos idosos pesquisados.No que se refere ao aspecto físico, Fries (1990) afirma que as pessoas com idade acima de 70 anos podem ter suas reservas cognitivas aumentadas com exercícios aeróbicos e prática orientada de esportes. Evangelista et al. (2004) investigaram a influência da atividade física na capacidade funcional de idosos e verificaram melhora significativa na reabilitação de doenças cardíacas, circulatórias, osteoarticulares e respiratórias nos idosos pesquisados. Em relação ao envelhecimento cerebral, a prática de atividade física regular tem sido considerada um agente neuroprotetor contra desordens degenerativas do sistema nervoso central. Pesquisas recentes demonstram que o exercício físico acarreta o aumento da circulação sanguínea cerebral, o que favorece a síntese de neurotrofinas que são substâncias responsáveis pela criação de novos neurônios (neurogênese) em diversas áreas cerebrais. As neurotrofinas atuam como mediadoras da eficácia sináptica (sinaptogênese), aumentando a conectividade entre os neurônios (BERTCHTOLD; COTMAN, 2002; MATTSON, 2000).

    No âmbito psicológico, as evidências sugerem aumento da autoestima e do bem-estar em indivíduos que se exercitam regularmente (SILVA; SOUZA; PINHEIRO, 2004; AMERICAN COLLEGE SPORTS MEDICINE, 1998 apud PIRAÍ, 2007). Além disso, a prática de exercícios pode melhorar o humor, a ansiedade, a depressão e a resistência a doenças, além de evitar e/ou diminuir o estresse (DE VITTA, 2000). Perez et al. (2004) realizaram pesquisa com idosos ativos e sedentários para investigar a influência da atividade na qualidade de vida. Verificaram maior qualidade de vida e independência funcional entre os que participavam de atividades regularmente.

    http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?pid=S1516-36872009000100007&script=sci_arttext

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  8. Os benefícios da prática de atividade física são inúmeros. A melhora na cognição é um fator de grande relevância e é frequentemente percebido pelos praticantes de exercício físico. Como foi citado no blog, ela age melhorando e protegendo as funções mentais dos seus adeptos e reduz o risco do aparecimento de desordens mentais em comparação às pessoas sedentárias. Daí percebe-se mais uma vez a grande importância da realização de atividade física pela população.

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