sábado, 15 de novembro de 2014

EFEITOS DOS EXERCÍCIOS FÍSICOS NA DISLIPIDEMIA



A partir dessa postagem, vou iniciar outra linha de abordagem de alterações bioquímicas adaptativas resultantes de exercícios físicos. Será iniciado um passeio pelas principais doenças crônicas que são afetadas por essas respostas bioquímicas.


Aterosclerose. Fonte: http://vascular.pro/content/
como-prevenir-aterosclerose
A dislipidemia é uma condição clínica cada vez mais comum entre os brasileiros, sendo um dos fatores de risco para o desenvolvimento da doença arterial coronariana(DAC). A DAC se processa pela formação da placa aterosclerótica que inicia-se com a agressão ao endotélio vascular devido a diversos fatores de risco, como elevação de lipoproteínas aterogênicas, cujos depósitos na parede arterial, responsável no início da aterogênese, ocorrem de maneira proporcional à concentração dessas lipoproteínas no plasma.







Fonte: http://sfnoticias.com.br/dislipidemia-x
-alimentacao
As dislipidemias são distúrbios do metabolismo lipídico, com repercussões sobre os níveis das lipoproteínas na circulação sanguínea, bem como sobre as concentrações dos seus diferentes componentes. Mais especificamente, as dislipidemias com níveis anormais de colesterol total, triglicerídeos, lipoproteínas de alta densidade ligada ao colesterol (HDL-colesterol), lipoproteínas de baixa densidade ligada ao colesterol (LDL-colesterol) e lipoproteína plasmática, estão diretamente associadas à gênese e evolução da aterosclerose. A elevada concentração de LDL-colesterol e lipoproteína(a), assim como a baixa concentração de HDLcolesterol plasmáticas, têm sido consideradas como fatores de risco independentes para o desenvolvimento da aterosclerose. Além dessas alterações lipídicas, o estilo de vida sedentário é outro fator de risco que concorre para o desenvolvimento da placa aterosclerótica.


A prática de exercícios físicos é estimulada atualmente como parte profilática e terapêutica de todos os fatores de risco da doença arterial coronariana. O combate à dislipidemia através de exercícios físicos tem sido alvo de inúmeros estudos e debates científicos em todo o mundo e, atualmente, está sendo recomendado como parte integrante de seu tratamento. Sabe-se que esta discussão surgiu devido à existência de um grande número de pessoas com alterações lipídicas/lipoproteicas sujeitas à doença arterial coronariana e às consequências socioeconômicas causadas pelas milhares de internações por doenças cardiocirculatórias existentes em todo o mundo, com grandes repercussões financeiras.
Os exercícios físicos aeróbicos, de forma moderada e frequente, têm demonstrado efeitos positivos na redução de LDL e aumento de HDL, entretanto existem outros condicionantes que devem estar em concomitância com os exercícios. Pesquisas têm demonstrado que o exercício, associado à perda de peso, têm possibilitado maior eficácia no controle lipídico sérico. Por exemplo, em um estudo dividiu-se as pessoas pesquisadas em quatro grupos que realizaram: apenas exercício aeróbio, somente dieta, exercício aeróbio mais dieta, e um grupo controle que não recebeu nenhum tratamento, verificou-se que os níveis de LDL-colesterol foram significativamente reduzidos entre homens e mulheres do grupo de exercício físico mais dieta, quando comparados com o grupo controle e entre homens desse mesmo grupo (dieta mais exercício), quando comparados com homens do grupo que realizou apenas exercício físico. O grupo com apenas dieta não reduziu significativamente o LDL-colesterol em ambos os sexos, embora somente este grupo e o de exercício mais dieta tenham reduzido o peso corporal. Nenhuma mudança significativa dos níveis da HDL-colesterol foi encontrada entre os grupos que receberam tratamento para ambos os sexos. Assim, esse estudo demonstrou a importância do tratamento aos níveis elevados da LDL-colesterol, não somente com a dieta, mas com o exercício físico aeróbio associado, onde também ocorreu perda de peso corporal1.


MECANISMO BIOQUÍMICO

A explicação para essas alterações lipoprotéicas benéficas nos níveis plasmáticos da HDL-colesterol, LDL-colesterol e suas subfrações, a partir de exercício aeróbio, em suas diferentes intensidades, durações e frequências, reside no melhor funcionamento dos processos enzimáticos envolvidos no metabolismo lipídico, mais especificamente, no aumento da atividade enzimática da lipase lipoprotéica, que favorece um maior catabolismo das lipoproteínas ricas em triglicerídeos, formando menos partículas LDL aterogênicas e elevando a produção de HDL nascente, além do aumento da lecitina-colesterol-acil-transferase e diminuição da atividade da lipase hepática, ambas favorecendo a formação de subfrações HDL2-colesterol. A redução de atividade da proteína de transferência de colesterol esterificado com o exercício aeróbio, também parece ocorrer, permitindo uma prevenção na formação de partículas LDL pequenas e ricas em colesterol.


CONSIDERAÇÕES FINAIS

Pode-se depreender que os exercícios físicos aeróbicos e moderados são importantes para o controle da dislipidemia, devendo ser coadjuvante em tratamento medicamentoso, ou mesmo ser de primeira escolha para pessoas em geral, devendo ser observada a necessidade de associação com uma dieta que ajude na perda de peso. A redução de LDL e aumento de HDL, alcançados com práticas de exercícios, são cruciais para a prevenção da doença coronariana.


REFERÊNCIAs


1. Stefanick ML, Mackey S, Sheehan M, Ellsworth N, Haskell WL, Wood PD. Effects of diet and exercise in men and postmenopausal women with low levels of HDL cholesterol and high levels of LDL cholesterol. N Engl J Med 1998; 339: 12-20.

2. Prado ES, Dantas EHM. Efeitos dos exercícios físicos aeróbio e de força nas lipoproteínas HDL, LDL e lipoproteína. Arq Bras Cardiol, volume 79 (nº 4), 429-33, 2002.

3. http://socerj.org.br/doenca-coronariana/

4.http://portaldocoracao.uol.com.br/anormalidades-do-colesterol/exercicios-fisicos-e-as-dislipidemias-anormalidades-do-colesterol-total-e-fraces


8 comentários:

  1. A dislipidemia é caracterizada por distúrbios nos níveis de lipídios circulantes com manifestações clínicas diversas. A sua terapêutica, frequentemente, engloba a adequação alimentar, a prática regular do exercício físico associada, ou não, ao tratamento farmacológico. A prática regular do exercício físico aeróbio induz redução nos níveis de triglicérides (TG), aumento na fração de colesterol da lipoproteína de alta densidade (HDLc). Desse modo, o exercício físico tem efeito no metabolismo das lipoproteínas, influenciando o transporte reverso do colesterol e o metabolismo de lipoproteínas ricas em TG. Esses efeitos podem ser intensificados quando associados à dieta com baixo porcentual de gordura, sobretudo saturadas, diminuição do peso corporal e redução da adiposidade. Em contrapartida, os níveis da fração de colesterol de LDL (LDLc) demonstram-se resistentes ao treinamento físico, que parece, no entanto, reduzir o nível de LDL oxidada conferindo menor risco de aterosclerose. Embora o treinamento físico induza adaptações benéficas, a realização de exercícios que envolvem ações excêntricas acima da intensidade habitual de esforço, geralmente resulta em lesão muscular. Nesse caso, são evidenciadas lesões ultraestruturais, ruptura do sarcolema e aumento da atividade sérica de enzimas musculares como creatina fosfoquinase (CPK) e lactato desidrogenase.

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    1. referencia: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1517-86922012000300013

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  2. O assunto tratado no post confirma mais uma vez a necessidade de elaborar programas massivos de estímulo aos exercícios físicos para a população brasileira. Desse modo, seriam reduzidos amplamente os gastos com as doenças relacionadas à dislipidemia (como as cardiovasculares) e as mortes por essas doenças. O seguinte trecho reitera o que foi dito no post: " outro estudo comparou diferentes níveis de intensidade de exercícios físicos aeróbios em 149 homens e 120 mulheres (pós-menopausa) sedentários e sem doenças cardiovasculares, com idades entre 50 e 65 anos, verificando ao final de dois anos de programa de treinamento, um aumento dos níveis de HDL-colesterol em diferentes intensidades do exercício, sendo que o grupo de indivíduos que treinava com uma intensidade mais baixa (60% a 73% da freqüência cardíaca máxima - freqüência cardíacamáx), cinco vezes por semana, alcançou aumentos mais significativos na HDL-colesterol do que o grupo de indivíduos que treinava a uma intensidade maior (73% a 88% da freqüência cardíacamáx), três vezes por semana, constatando-se que indivíduos saudáveis de meia idade que praticam exercícios aeróbios de intensidade moderada podem conseguir alterações benéficas nos níveis lipoprotéicos, salientando, também, que a freqüência do exercício pode ser importante na produção dessas mudanças".
    Fonte: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0066-782X2002001300013

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  3. A associação entre o sedentarismo, o ganho de peso e os níveis elevados de triglicerídeos plasmáticos é, atualmente, inegável. O efeito do exercício no metabolismo destas gorduras tem sido investigado por inúmeros pesquisadores e, nas décadas de 80 e 90, cresceram as evidências de que o exercício físico regular pode alterar positivamente o perfil das gorduras no sangue.
    Estudos iniciais mostraram que o exercício físico, ao provocar perda de peso, também altera significativamente a concentração e o metabolismo das gorduras. Além disso o exercício físico regular pode provocar alterações nas gorduras circulantes significativas, mesmo em indivíduos que não apresentam anormalidades do colesterol.
    Em um estudo, verificou-se que um programa de exercício físico, realizado por um período de três a seis meses, com frequência de três vezes por semana, numa intensidade de 50% a 60% do consumo máximo de oxigênio (intensidade moderada), diminui significativamente os níveis de triglicerídeos e aumenta os níveis de HDL colesterol. Esses fatos fizeram com que o exercício físico regular fosse incluído como uma opção de tratamento não medicamentosa no tratamento das anormalidades do colesterol. Enfim, o exercício físico regular pode ter um papel relevante para a circulação, à medida que a protege contra os efeitos maléficos de uma concentração anormal de gorduras no sangue.

    Referência: http://portaldocoracao.uol.com.br/anormalidades-do-colesterol/exercicios-fisicos-e-as-dislipidemias-anormalidades-do-colesterol-total-e-fraces

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  4. O tema tratado no blog é bastante interessante, uma vez que mostra o quão importante é a prática de exercícios físicos para o bem estar do organismo. Como exposto na postagem, a frequente prática de atividades físicas induz o aumento do chamado erroneamente pela população de ‘colesterol bom’, que é um colesterol de alta densidade, o HDL, ainda diminuição na concentração dos triglicerídeos, LDL, colesterol total, diminui também a resistência à insulina, massa corporal, índice de massa corporal, com concomitante aumento nos níveis de massa corporal magra e taxa metabólica basal. Logo, comprovadamente os exercícios aeróbicos ou de resistência localizada, possuem relação inversa com o desenvolvimento de doenças crônico degenerativas. No entanto, em uma sociedade altamente sedentária, o risco dessas doenças é imenso, por isso é preciso o incentivo em massa de bons hábitos à população, não somente praticar exercícios, mas também promover uma reeducação alimentar, principalmente nos jovens, que são os principais consumidores de fast foods etc.

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  5. A atividade física regular constitui medida auxiliar para o controle das dislipidemias e tratamento da doença arterial coronariana.A prática de exercícios físicos promove redução dos níveis plasmáticos de triglicerídeos e aumento do HDL-Colesterol.Indivíduos com diagnóstico de dislipidemia ou recuperação de eventos cardiovasculares devem ingressar em programas de reabilitação cardíaca supervisionados. O programa de treinamento físico, para a prevenção ou para a reabilitação, deve incluir exercícios aeróbios, tais como, caminhadas, corridas leves, ciclismo, natação.Os exercícios devem ser realizados de três a seis vezes por semana, com duração de 30 a 60 minutos.O componente aeróbio das sessões de condicionamento físico deve ser acompanhado por atividades de aquecimento, alongamento e desaquecimento. Exercícios de resistência muscular localizada podem ser utilizados como complemento, aumentando a força muscular e diminuindo o percentual de gordura.
    http://www.clinicacardiofit.com.br/wp-content/uploads/2012/01/Informativo-Dislipiemia.pdf

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  6. Como muito bem retratou a postagem, os exercícios físicos aeróbicos e moderados são importantes para o controle da dislipidemia, devendo ser coadjuvante em tratamento medicamentoso, ou mesmo ser de primeira escolha para pessoas em geral. Além disso, a prática de exercícios é essencial para a redução de LDL e aumento de HDL, (fator esse, crucial para a doença coronariana), além de ser um importante meio para perda de peso, se associada a uma dieta equilibrada.
    Dislipidemia, que uma das situações citadas no texto, significa que altos níveis de gorduras estão circulando no seu sangue. Essas gorduras incluem colesterol e triglicérides. O colesterol é uma substância gordurosa encontrada na corrente sanguínea e em todas as células do seu corpo. É usado para formar membranas celulares, alguns hormônios e é necessário para outras importantes funções, mas se está demais no seu sangue pode ser um problema.
    Muitas pessoas com triglicérides elevados têm doenças de base ou desordens genéticas. Diabetes e obesidade são dois exemplos. Além disso, podem desenvolver, como a postagem abordou, uma doença coronariana e que ponha em grande risco a vida da pessoa.
    Mesmo sendo séria, e podendo causar grandes danos, dislipidemia é tratada com mudanças no estilo de vida: mudanças na dieta, perda de peso se necessária e exercício. É aconselhável ainda, manter um peso adequado, comer alimentos com baixo teor de gordura saturada, trans e colesterol, praticar atividade física – pelo menos 30 minutos por dia na maior parte da semana, ingerir bebida alcoólica com moderação, entre outras medidas. Dessa forma, leis governamentais que proíbem o uso de álcool por menores, e projetos que criam academias em praça publica, além de lugares adequados para a prática de exercício, são fortes contribuintes, para a diminuição do índice de dislipidemia. Aguardo novas postagens sobre o assunto.

    Fonte:
    http://www.institutoprocardiaco.com.br/dislipidemia.htm

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  7. São inúmeros os benefícios da prática regular de atividade física, desde a perda de peso, sensação de bem estar e prevenção de diversas doenças.
    A aterosclerose é decorrente da formação de placas de gordura, cálcio e outros elementos na parede das artérias do coração e suas ramificações, se caracterizando pelo estreitamento e enrijecimento de tais artérias devido a este acúmulo de gordura em suas paredes.¹
    A atividade física tem sido vista como um importante fator na prevenção de doenças cardiovasculares, e deve ser praticada de forma regular junto a uma alimentação balanceada e com baixo consumo de gorduras e sal.¹
    Referência
    1. http://www.einstein.br/einstein-saude/doencas/Paginas/tudo-sobre-aterosclerose.aspx

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