sábado, 1 de novembro de 2014

b-Endorfina e Exercícios Físicos




Na postagem anterior tratou-se da relação exercício físico e ansiedade, enfatizando o efeito da resposta adaptativa mediante a produção de lactato. Hoje, retorno o tema dos efeitos benéficos dos exercícios físicos no aspecto psicológico, considerando as alterações bioquímicas do organismo a partir do incremento de b-endorfinas. Vale ressaltar que a maioria dos trabalhos que aborda esses aspectos é controversa, inconclusiva, e, portanto, carecendo de mais estudos.

Conceituando

A b-endorfina é um peptídeo de 31 aminoácidos, tem uma intensa atividade opióide e, em comparação com as encefalinas, apresenta maior resistência à degradação enzimática. As endorfinas possuem efeitos analgésicos e eufóricos, tendo implicações em diferentes sistemas e fenômenos do organismo.
A b-endorfina pode ser liberada na circulação pela hipófise anterior ou projetada para áreas do cérebro por meio das fibras nervosas, tendo meia-vida plasmática de aproximadamente 20 minutos. Em condições normais, apresenta concentrações muito baixas, embora, sob condições de estresse, como no exercício físico, aumente 3 a 10 vezes.

Respostas de b-endorfina aos exercícios

A pesar das controvérsias, a maioria dos estudos indica que há aumento de b-endorfina durante e após o estresse físico. Os fatores que colaborariam para o incremento desse neurotransmissor têm sido demonstrados, porém com resultados inconclusivos.
Os trabalhos consultados indicam que no exercício máximo e anaeróbico tem sido verificado importante correlação de b-endorfina com o lactato, evidenciando o aumento da concentração de b-endorfina após o limiar anaeróbico ser excedido. No exercício aeróbico realizado em equilíbrio entre a produção e eliminação de lactato, os níveis de b-endorfina não aumentam até que a duração do exercício exceda aproximadamente uma hora, quando se estabelece um desequilíbrio da produção e eliminação do lactato. Outras observações indicam que a acidose e a glicorregulação decorrentes do estresse físico também são responsáveis pelo incremento de b-endorfinas.

Ação da b-endorfina

Muitos são os efeitos atribuídos à b-endorfina, entre eles, a influência nos sistemas metabólico, imune, cardiovascular e respiratório; na regulação da temperatura, na função gastrintestinal, no apetite, no sono, na função do aprendizado e da memória, na analgesia, na diminuição do desconforto respiratório e muscular, nas alterações do humor , na depressão,  na esquizofrenia, dentre outros.
Os praticantes de atividade física regular são beneficiários desses efeitos, apresentando melhora no humor e diminuição da percepção da dor, redução do estresse e ansiedade, aumento de concentração e aprendizagem.

Considerações

Portanto, os mecanismos que levam ao incremento de b-endorfina, e o efeito desse neurotransmissor nas melhorias fisiológicas e psicológicas ainda são matérias para mais esclarecimentos científicos. Apesar disso, a atividade física tem proporcionado melhores de condições de saúde e qualidade de vida de seus adeptos, devendo ser incentivada para que mais pessoas possam usufruir desse benefício.

Referências

Werneck FZ, Barra Filho MG, Ribeiro LCS. Mecanismo de melhora do humor após exercício             físico: Revisitando a hipótese das endorfinas. Rev. Bras. Ci. Mov. 2005.

Cunha GS, Ribeiro JL, Oliveira AR. Níveis de beta-endorfinas em resposta ao exercício e no               sobretreinamento. Arq. Bras. Endocrinol Metab. 2008.

http://www2.uol.com.br/vyaestelar/cerebroecorpo_endorfinas.htm


8 comentários:

  1. Achei o post muito interessante, principalmente por contribuir na melhora de humor e redução do estresse e de dores, problemas que são recorrentes na sociedade contemporânea e que necessitam de atenção na área de saúde pública. Uma informação interessante a ser acrescentada é que "ENDORFINA é um neuro-hormônio produzido pelo próprio organismo na glândula hipófise. Sua denominação se origina das palavras endo (interno) e morfina (analgésico). (...)O número de estudos sobre ele vem sendo bastante incrementado ultimamente, mas, por essas pesquisas serem realizadas na maioria das vezes em animais, muitas dúvidas ainda persistem. O que se sabe, com certeza é que a endorfina tem uma potente ação analgésica e ao ser liberada estimula a sensação de bem-estar, conforto, melhor estado de humor e alegria."
    Fonte:http://www.assessocor.com.br/noticias.aspx?__idNot=230

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  2. Houve época em que praticar esportes era coisa de crianças e adolescentes. Até bem pouco tempo, homens e mulheres abandonavam as atividades esportivas quando se casavam. Pessoas mais velhas, então, nem pensar. Os médicos recomendavam que evitassem esforços físicos e fizessem repouso.
    Esse paradigma da medicina mudou radicalmente nos últimos anos. Descobriu-se que a atividade física faz bem para a saúde desde o nascimento até o fim da vida. Algumas pessoas realmente são viciadas em atividade física. Esta dependência causada pelo exercício é atribuída às concentrações elevadas de endorfina produzidas por determinados exercícios. Muitas pessoas se sentem irritadas, ansiosas, depressivas e com péssimo humor quando deixam de fazer exercícios físicos. Dentre as funções da endorfina está a de proteger o individuo de possíveis transtornos psicológicos e físicos estressores da vida diária, pois se acredita que à medida que o estresse aumenta a liberação da endorfina combatendo esse distúrbio e assim neutralizando alguns de seus possíveis efeitos.
    Fonte: http://www.efdeportes.com/efd179/beneficios-da-endorfina-atraves-da-atividade-fisica.htm
    http://drauziovarella.com.br/drauzio/os-beneficios-dos-exercicios/

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  3. É relevante a relação da b-endorfina com os exercícios físicos, por isso o número de estudos sobre a ação da endorfina vem sendo bastante incrementado ultimamente, mas, por essas pesquisas serem realizadas na maioria das vezes em animais, muitas dúvidas ainda persistem. O que se sabe, com certeza é que a endorfina tem uma potente ação analgésica e ao ser liberada estimula a sensação de bem-estar, conforto, melhor estado de humor e alegria. Além do seu efeito analgésico, acredita-se que as endorfinas controlem a reação do corpo à tensão, regulando as algumas funções do sistema nervoso autônomo como as contrações da parede intestinal e determinando o humor. Elas podem também regular a liberação de outros hormônios. Provavelmente parte da capacidade da acupuntura em aliviar a dor seja devida ao estímulo da liberação de endorfinas. Uma vez estimulados pelas agulhas nos terminais nervosos ("pontos") é gerado um impulso para aumentar a liberação de neurotransmissores no complexo supressor de dor, ou seja, é produzido o efeito analgésico na região cerebral. Além disso, ocorre liberação de endorfina no local inflamado. Algumas pesquisas afirmam que os efeitos da endorfina são sentidos até uma ou duas horas após a sua liberação. É o que leva ao momento de tranqüilidade e paz que os atletas encontram após as atividades físicas. Outros estudos observaram aumento das dosagens desse hormônio até 72 horas após exercícios de endurance como uma maratona. Por ser um "analgésico natural" leva a uma sensação de bem-estar e tranqüilidade podendo inibir o estresse.

    Referência: http://www.assessocor.com.br/noticias.aspx?__idNot=230

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  4. O termo "endorfina" é originário da palavra endo (interno) e morfina (analgésico). Trata-se de um neuro-hormônio produzido pelo nosso próprio organismo na glândula hipófise e traz diversos benefícios ao corpo como alívio de dores, aumento da disposição, melhora no humor, além de controle das contrações da parede intestinal. Elas também controlam a liberação de outros hormônios e servem como um "analgésico natural" inibidor do estresse A dependência em exercícios é atribuída pela quantidade de endorfina que o corpo produz. Quanto mais a pessoa se exercita, maior será a produção de endorfinas. Algumas pesquisas confirmaram que as pessoas conseguem sentir os efeitos da endorfina até 72 horas após a liberação durante a prática física. Esse mesmo efeito é conseguido com os alimentos-droga, como o chocolate, álcool e cafe, que também liberam endorfina. Ao contrario do exercício os alimentos-drogas tem ações prejudiciais ao corpo, enquanto que os exercício estão associados a uma boa qualidade de vida, melhora o funcionamento do organismo. No entanto, o excesso do exercício pode implicar em dependência e prejuízos sociais, como diminuição do tempo com a família e amigos para se exercitar.

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  5. No exercício máximo e anaeróbio, extensa correlação com o lactato tem sido verificada, demonstrando aumento significativo das suas concentrações após o limiar anaeróbio ser excedido. No exercício aeróbio realizado em estado de equilíbrio entre a produção e a remoção do lactato, os níveis sanguíneos de beta-endorfina não aumentam até que a duração do exercício exceda aproximadamente uma hora, após a qual ocorre aumentando em estado de equilíbrio entre a produção e a remoção do lactato, os níveis sanguíneos de beta-endorfina não aumentam até que a duração do exercício exceda aproximadamente uma hora, após a qual ocorre aumento exponencial. O balanço ácido-base (pH ou níveis de ácido láctico) tem sido sugerido como mecanismo para o incremento da beta-endorfina durante o exercício.

    http://www.scielo.br/pdf/abem/v52n4/a04v52n4.pdf

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  6. A postagem tratou de forma interessante da b-endorfina e relatou seus efeitos no organismo, e a relação dos mesmos com o esporte. Foi importante também a indicação de que há aumento de b-endorfina durante e após o estresse físico, principalmente em exercícios anaeróbicos. A b-endorfina é um hormônio responsável por diversas alterações psicofisiológicas, que vão desde o controle da dor até a sensação de bem estar proporcionada pela prática da atividade física (Harber & Sutton, 1984), embora alguns autores ainda discordem (McGowan et al., 1993). A b-endorfina pode ser encontrada basicamente em regiões específicas do sistema nervoso central (SNC), ou mesmo na circulação sangüínea (plasmática). Assim sendo, Thorén et al. (1990) apontam que a b-endorfina pode ter tanto um efeito bioquímico sobre áreas cerebrais responsáveis pela modulação da dor, do humor, depressão, ansiedade como pela inibição do sistema nervoso simpático (responsável pela modulação de diversos órgãos como coração, intestino etc). Através de seu uso, os praticantes de atividade física regular, são, portanto, beneficiários desses efeitos, apresentando melhora no humor, redução da ansiedade e aumento da aprendizagem.
    Um fato interessante é que a dependência de álcool também estimula a produção de opióides, como a b-endorfina, desta forma, uma sugestão de medida de intervenção social, seria de se investir, por exemplo, em ONGs que ajudam pessoas viciadas em álcool a praticar mais exercícios, e assim, converter sua dependência para a fonte endógena proveniente do exercício. Aguardo novas postagens sobre o assunto.

    Fonte:
    http://www.totalsport.com.br/colunas/ricardo/ed2800.htm

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  7. Os benefícios do exercício físico são inúmeros e vão além da perda de peso. A redução do risco de doenças cardiovasculares é um grande benefício, e além dele, a redução do estresse por meio da liberação de substâncias que provocam sensação de bem estar no praticante de atividade física.
    A b-endorfina é um peptídio de 31 aminoácidos que possui uma potente atividade opióide e apresenta maior resistência à degradação enzimática quando comparado às encefalinas. Ela é primariamente sintetizada na hipófise anterior e possui uma meia vida de aproximadamente 20 minutos. FONTE: http://www.scielo.br/pdf/abem/v52n4/a04v52n4.pdf

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