Sobre a postagem
Os exercícios físicos são fatores de proteção contra a maioria dos
problemas de saúde que acometem os brasileiros, por isso da necessidade mais uma vez de enfatizar seus efeitos
positivos no tratamento e prevenção de agravos.
Nessa oportunidade, traz-se a importância da atividade física na
recuperação de usuários de drogas lícitas e ilícitas, baseando-se nos efeitos
fisiológicos dessas drogas e no contraponto marcado pelas respostas bioquímicas
dos exercícios.
Droga: aspectos fisiológico e social
De acordo com a OMS (Organização Mundial de Saúde), a drogadição é
considerada como uma doença fatal, caracterizando-se como uma doença metabólica
causada por consumo em demasia de produtos psicoativos que influenciam no
físico e no psicológico dos usuários1. Essa doença, no Brasil, é
substanciada pelo uso de álcool( principal droga lícita), maconha (principal
droga ilícita) crack e, menos popular, a
cocaína.
O uso dessas substâncias, principalmente o álcool, causa grandes prejuízos
à sociedade, pois constituem as principais causas de violência doméstica e
violência no trânsito, gerando enormes prejuízos para o estado e a sociedade no
geral2.
Quando se pensa no fenômeno da dependência, no que diz respeito às
drogas deve-se considerar que a exposição dos indivíduos é constante e em longo
prazo. As drogas variam de acordo com o usuário que procura obter um efeito
agudo da substância, relacionado ao seu bem-estar. Em função desse efeito
desejado é que o usuário elege uma determinada substância e uma via de
introdução adequada para o tempo de manifestação do efeito. Isso significa que quanto
maior é a necessidade, maior também é a urgência de uso da droga, ou seja,
quanto maior a compulsão, a via de administração escolhida será aquela de maior
velocidade de distribuição pelo organismo.
Diante desse problema, o estado tem sido impotente, razão pela
qual as pessoas e instituições não-governamentais vem organizando comunidades
terapêuticas (CT) para facilitar o tratamento de usuários, principalmente de
drogas ilícitas. Essas CTs trabalham na vertente de que o dependente químico perde
sua autonomia, sua capacidade de escolher e decidir, a vida em comunidade faz
com que o indivíduo resgate esses conceitos e reestruture seus comportamentos, e
consequentemente reprojete sua vida social e familiar. Nesse processo, não só o
dependente químico passa por uma reestruturação, mas também as pessoas mais
próximas, seus familiares, que apresentam a co-dependência. Enfim, o tratamento
na CT é um processo de reavaliação de conceitos e valores que as pessoas
deixaram de adotar em suas vidas.
Exercícios físicos: respostas bioquímicas adaptativas
ajudam no tratamento e prevenção contra as drogas
Os efeitos positivos das atividades físicas no tratamento de
dependentes químicos tem haver com temas já discutidos ao longo das dez
postagens desse trabalho de bioquímica. Pode-se enfatizar aqui a produção de
b-endorfinas a partir de exercícios aeróbicos moderados que exercem influência
nos aspectos físico, psíquico e social.
As sensações de bem-estar e prazer que o exercício físico
proporciona podem aumentar
significativamente a motivação pela integração de indivíduos em tratamento com
grupos de pessoas que estejam preocupadas com sua saúde e que tenham hábitos
saudáveis, reforçando, assim, a autoavaliação
e o sentir-se útil, sentimentos estes que são de grande importância na vida de
uma pessoa que está se recuperando da drogadição 3.
Estudo realizado por MIALICK (2010) confirma esses aspectos, na
medida em que se observou a contribuição dos exercícios físicos para o
desenvolvimento das capacidades psicológicas de percepção de cada indivíduo,
pois os mesmos passaram a interagir com maior frequência com o grupo em que
estavam inseridos, tomando consciência de que existem regras em diversas situações
da vida.
Pode-se ainda destacar observações feitas em outros estudos sobre
o tema. Por exemplo, BARBANTI atestou
que o nível de dependência do álcool foi significativamente
negativamente associado com atividade física. Nesse mesmo rumo, TAYLOR et al (2006) realizaram um
estudo com tabagistas e puderam concluir que andar de
bicicleta com um índice de frequência cardíaca de reserva de 40 a 60%, durante 5
minutos, reduz o desejo de fumar, comparado com andar de bicicleta com uma
frequência de 10 a 20%. Comparando indivíduos em condição passiva e em
atividade física, mostraram diminuição em pelo menos dois dos sintomas de
abstinência durante e a após a atividade. Os autores ressaltam que os efeitos do
exercício físico são perceptíveis após períodos breves ou mais longos de
abstinência. Em relação ao estado de humor, concluíram que há uma redução
importante na ansiedade e melhora do humor, no período de abstinência, após a
prática de atividades físicas, sendo também capaz de diminuir afetos negativos
(tristeza, raiva, angústia).
MIALICK (2010) afirma que a atividade física
pode auxiliar de forma contundente no tratamento para a dependência química,
pois sem as substâncias psicoativas no organismo, o dependente precisa suprir a
falta desta, e nada melhor do que a prática da atividade física que é uma ação
que gera sensação de prazer, possibilitando ainda ao indivíduo reiniciar um
ciclo de amizades saudáveis, tendo sempre em mente a manutenção de sua
sobriedade. O sucesso desta mudança poderá ser observado no decorrer do tempo à
medida que a pessoa estruturar um novo estilo de vida, integrando a mudança em
nível de missão e valores.
Considerações finais
Os dependentes químicos em tratamento são mais propensos a
ansiedade, tristeza, crises de abstinência, isolamento social, dentre outros
fatores fisiológicos e psicossociais que podem provocar recaídas, tornando o
tratamento insuficiente. A atividade física se faz necessária para ajudar
nesses aspectos, sempre com orientação profissional.
Referências
1 SERRAT, S. M. Drogas
e Álcool: prevenção e tratamento. Campinas:
Editora Komedi, 2001.
2 http://www.antidrogas.com.br/mostrasosvida.php?c=52
3 MIALICK,
E.S., FRACASSO. L., SAHD. S.M.P.V. A importância da pratica da
atividade física como auxílio no processo de tratamento para a dependência
química em pessoas de 18 a 35 anos. São Paulo, 2010.
4. BARBANTI,
EJ. Efeito da atividade física na qualidade de vida em pacientes com depressão e
dependência química. Revista Brasileira de Atividade Física & Saúde.
Acessado em http://periodicos.ufpel.edu.br/ojs2/index.php/RBAFS/article/viewfile/831/838
5 Atividade física
e tabagismo. Acessado:ttp://www.gease.pro.br/artigo_visualizar.php?id=219
6. TAYLOR
AH, USSHER G, FAULKNER M. Exercise
for smoking cessation. Acessado em http://translate.google.com.br/translate?hl=pt-BR&sl=en&u=http://michael-ussher.com/publications/%3Fwe_lv_start_0%3D10&prev=search
