segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Bioquímica do exercício e dependência química

Sobre a postagem


Os exercícios físicos são fatores de proteção contra a maioria dos problemas de saúde que acometem os brasileiros, por isso da necessidade  mais uma vez de enfatizar seus efeitos positivos no tratamento e prevenção de agravos.
Nessa oportunidade, traz-se a importância da atividade física na recuperação de usuários de drogas lícitas e ilícitas, baseando-se nos efeitos fisiológicos dessas drogas e no contraponto marcado pelas respostas bioquímicas dos exercícios.

          
Droga: aspectos fisiológico e social


De acordo com a OMS (Organização Mundial de Saúde), a drogadição é considerada como uma doença fatal, caracterizando-se como uma doença metabólica causada por consumo em demasia de produtos psicoativos que influenciam no físico e no psicológico dos usuários1. Essa doença, no Brasil, é substanciada pelo uso de álcool( principal droga lícita), maconha (principal droga ilícita)  crack e, menos popular, a cocaína.
O uso dessas substâncias, principalmente o álcool, causa grandes prejuízos à sociedade, pois constituem as principais causas de violência doméstica e violência no trânsito, gerando enormes prejuízos para o estado e a sociedade no geral2.
Quando se pensa no fenômeno da dependência, no que diz respeito às drogas deve-se considerar que a exposição dos indivíduos é constante e em longo prazo. As drogas variam de acordo com o usuário que procura obter um efeito agudo da substância, relacionado ao seu bem-estar. Em função desse efeito desejado é que o usuário elege uma determinada substância e uma via de introdução adequada para o tempo de manifestação do efeito. Isso significa que quanto maior é a necessidade, maior também é a urgência de uso da droga, ou seja, quanto maior a compulsão, a via de administração escolhida será aquela de maior velocidade de distribuição pelo organismo.
Diante desse problema, o estado tem sido impotente, razão pela qual as pessoas e instituições não-governamentais vem organizando comunidades terapêuticas (CT) para facilitar o tratamento de usuários, principalmente de drogas ilícitas. Essas CTs trabalham na vertente de que o dependente químico perde sua autonomia, sua capacidade de escolher e decidir, a vida em comunidade faz com que o indivíduo resgate esses conceitos e reestruture seus comportamentos, e consequentemente reprojete sua vida social e familiar. Nesse processo, não só o dependente químico passa por uma reestruturação, mas também as pessoas mais próximas, seus familiares, que apresentam a co-dependência. Enfim, o tratamento na CT é um processo de reavaliação de conceitos e valores que as pessoas deixaram de adotar em suas vidas.


Exercícios físicos: respostas bioquímicas adaptativas ajudam no tratamento e prevenção contra as drogas


Os efeitos positivos das atividades físicas no tratamento de dependentes químicos tem haver com temas já discutidos ao longo das dez postagens desse trabalho de bioquímica. Pode-se enfatizar aqui a produção de b-endorfinas a partir de exercícios aeróbicos moderados que exercem influência nos aspectos físico, psíquico e social.
As sensações de bem-estar e prazer que o exercício físico proporciona podem  aumentar significativamente a motivação pela integração de indivíduos em tratamento com grupos de pessoas que estejam preocupadas com sua saúde e que tenham hábitos saudáveis, reforçando, assim, a  autoavaliação e o sentir-se útil, sentimentos estes que são de grande importância na vida de uma pessoa que está se recuperando da drogadição 3.
Estudo realizado por MIALICK (2010) confirma esses aspectos, na medida em que se observou a contribuição dos exercícios físicos para o desenvolvimento das capacidades psicológicas de percepção de cada indivíduo, pois os mesmos passaram a interagir com maior frequência com o grupo em que estavam inseridos, tomando consciência de que existem regras em diversas situações da vida.
Pode-se ainda destacar observações feitas em outros estudos sobre o tema. Por exemplo, BARBANTI atestou que o nível de dependência do álcool foi significativamente negativamente associado com atividade física. Nesse mesmo rumo, TAYLOR et al (2006) realizaram um estudo com tabagistas e puderam concluir que andar de bicicleta com um índice de frequência cardíaca de reserva de 40 a 60%, durante 5 minutos, reduz o desejo de fumar, comparado com andar de bicicleta com uma frequência de 10 a 20%. Comparando indivíduos em condição passiva e em atividade física, mostraram diminuição em pelo menos dois dos sintomas de abstinência durante e a após a atividade. Os autores ressaltam que os efeitos do exercício físico são perceptíveis após períodos breves ou mais longos de abstinência. Em relação ao estado de humor, concluíram que há uma redução importante na ansiedade e melhora do humor, no período de abstinência, após a prática de atividades físicas, sendo também capaz de diminuir afetos negativos (tristeza, raiva, angústia).
 MIALICK (2010) afirma que a atividade física pode auxiliar de forma contundente no tratamento para a dependência química, pois sem as substâncias psicoativas no organismo, o dependente precisa suprir a falta desta, e nada melhor do que a prática da atividade física que é uma ação que gera sensação de prazer, possibilitando ainda ao indivíduo reiniciar um ciclo de amizades saudáveis, tendo sempre em mente a manutenção de sua sobriedade. O sucesso desta mudança poderá ser observado no decorrer do tempo à medida que a pessoa estruturar um novo estilo de vida, integrando a mudança em nível de missão e valores.


Considerações finais

Os dependentes químicos em tratamento são mais propensos a ansiedade, tristeza, crises de abstinência, isolamento social, dentre outros fatores fisiológicos e psicossociais que podem provocar recaídas, tornando o tratamento insuficiente. A atividade física se faz necessária para ajudar nesses aspectos, sempre com orientação profissional.


Referências

1 SERRAT, S. M. Drogas e Álcool: prevenção e tratamento. Campinas: Editora Komedi, 2001.

2 http://www.antidrogas.com.br/mostrasosvida.php?c=52

3 MIALICK, E.S., FRACASSO. L., SAHD. S.M.P.V. A importância da pratica da atividade física como auxílio no processo de tratamento para a dependência química em pessoas de 18 a 35 anos. São Paulo, 2010.

4.  BARBANTI, EJ. Efeito da atividade física na qualidade de vida em pacientes com depressão e dependência química. Revista Brasileira de Atividade Física & Saúde. Acessado em http://periodicos.ufpel.edu.br/ojs2/index.php/RBAFS/article/viewfile/831/838

5 Atividade física e tabagismo. Acessado:ttp://www.gease.pro.br/artigo_visualizar.php?id=219

6. TAYLOR AH, USSHER G, FAULKNER M. Exercise for smoking cessation. Acessado em http://translate.google.com.br/translate?hl=pt-BR&sl=en&u=http://michael-ussher.com/publications/%3Fwe_lv_start_0%3D10&prev=search