É notório o fenômeno do envelhecimento da população nos países em desenvolvimento,
tendência já consolidada nas nações desenvolvidas, devido a uma série de
fatores socioeconômicos e tecnológicos, permitindo um aumento da expectativa de
vida. No Brasil observa-se essa tendência, inclusive com previsões de aumento
substancial de idosos a partir de 2025.
Essa
expectativa de crescimento na população idosa implica em maior demanda por
serviços de saúde, confrontando-se com um sistema de saúde com déficit orçamentário
e com vários problemas que o torna ineficiente. Associado a isso, temos os
efeitos do desenvolvimento industrial, que permitiu o surgimento dos grandes
centros urbanos, que trouxe como consequência profundas modificações na
sociedade. Os indivíduos tornaram-se mais competitivos, ansiosos e preocupados
com a sobrevivência. O tempo tornou-se escasso para a prática de atividades físicas
associadas a mudanças dos hábitos como alimentação inadequada, obesidade e
tabagismo, que são determinantes na deterioração de uma vida ativa e funcional1.
Por outro viés,
o envelhecimento da população é o reflexo da melhoria nas condições de vida da
nossa população. Entretanto, nos coloca numa situação preocupante, pois esse
fenômeno exige respostas mais eficazes para mais ofertas de serviços e produtos
de saúde que façam frente às doenças crônicas inerentes ao envelhecimento
populacional.
Nesse sentido,
os exercícios físicos entram como importante fator prevenção, retardamento ou
até mesmo como tratamento de vários agravos crônicos mais comuns em idosos.
Doenças crônicas tidas como “do envelhecimento”, a saber, câncer, doenças cerebrovasculares,
diabetes, hipertensão, artrite, osteoporose, baixa visão, demência, depressão,
doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), dentre outras, podem ser prevenidas,
e, em algumas situações, retardadas pela prática de exercícios físicos.
Definição e classificação de idosos
São considerados
idosos pessoas acima de 65 anos, existindo subclassicações dentro desse grupo,
levando em consideração a idade cronológica, a idade fisiológica e presença ou
não de patologias.
Com isso,
segundo KOPILER (1997), uma maneira simples de
classificação é aquela que divide os idosos com base na idade cronológica:
“idoso jovem” (65 a 75 anos de idade), “idoso médio” (75 a 85 anos) e “muito
velho” (maior que 85 anos). Essa classificação ignora as diferenças potenciais de
indivíduos da mesma faixa etária, que apresentem características fisiológicas
bem diferentes. Pelo fato de existirem diferenças interindividuais de
treinamento físico, saúde e genética, essa análise nos dá muitas vezes uma
falsa impressão da verdadeira capacidade funcional do idoso.
A
classificação funcional conseguiu reunir os grupos de modo mais uniforme,
principalmente quando o objetivo é a prescrição de um programa de treinamento.
O “idoso jovem” é considerado o grupo de pessoas que estão livres das
responsabilidades com cuidados de filhos, geralmente aposentados e que podem
viver de forma independente, com pouca ou nenhuma restrição a atividades
físicas. O “idoso médio”, em face do aumento da incapacidade física, como
resultado de doença crônica, ou pelos efeitos da idade, ou ambos, necessita de
uma maior assistência em suas atividades diárias. Já os “muito velhos” são
aqueles totalmente dependentes, necessitando de suporte de familiares
devotados, ou enfermagem treinada, ou muitas vezes internados em instituições para
maiores cuidados. 1
Por último, é
importante a divisão dos idosos em grupos com e sem patologia, como também a
identificação desta. A programação de uma atividade física será bem diferente
para um idoso saudável, quando comparado com coronariopatas ou indivíduos com
restrição de movimentos por problemas articulares. 1
Prescrição de exercícios
A prescrição
de exercícios para os idosos não diferem muito dos demais, salvo algumas
adequações ou restrições devido as limitações osteoarticulares (em caso de
patologias nesse sistema) ou patologias cardiorrespiratórias.
O
acompanhamento médico é imprescindível para avaliação clínica, testes e exames
que direcionem o profissional na prescrição de exercícios adequados para cada
situação específica.
Nesse aspecto,
o teste ergométrico é de grande valia, uma vez que permite estratificação de
risco para doença coronária; prescrição de exercícios; determinação da
capacidade física inicial; comparação com reavaliações após período de
atividade física; modificação dessa prescrição no caso de alteração do quadro
clínico ou por mudança na medicação que possa interferir de maneira importante na
frequência cardíaca ou por parâmetros hemodinâmicos.
Os tipos de
exercícios são variados podendo ser caminhadas, natação, ciclismo,
hidroginástica, dentro outros. Recomenda-se que a intensidade seja
gradativamente aumentada, sempre considerando a avaliação individual para que
haja de fato uma melhoria na qualidade de vida, e não o contrário.
Vantagens para o idoso
Sobre os
benefícios da atividade física para o idoso, KOPILER (1997) traz dados de outros trabalhos que verificaram melhora
significativa na aptidão física, sinalizando alteração positiva no padrão
cardiorrespiratório; diminuição dos níveis tensionais em idosos hipertensos;
melhora nos reflexos osteomusculares; retardamento da osteoporose,
principalmente em mulheres. KOPILER (1997) acrescenta ainda efeitos positivos
no âmbito psicológico do idoso, como aumento da autoestima e confiança,
permitindo maior interação dos idosos na sociedade.
GUALANO (2011)
destaca a eficácia dos exercícios físicos no tratamento de primeira escolha
para doenças típicas de idosos, como diabetes, hipertensão, osteoartrite, obesidade, etc. Além disso, o fortalecimento muscular e ósseo tem
reflexo na qualidade funcional do idoso, tornando-o independente por mais tempo,
evitando quedas e fratura de colo de fêmur, assim associando longevidade com
funcionalidade.
Considerações finais
Considerações finais
Pelos
trabalhos consultados, depreende-se que não restam dúvidas sobre os benefícios
da atividade física para o idoso, pairando discussões apenas sobre como
implementar tais exercícios nesse grupo. O importante é saber que algo deve ser
feito nesse rumo, compreender que os exercícios serão um ingrediente
fundamental nessa massa de idosos que já existe e que está por vir. Os
exercícios vão permitir longevidade com qualidade de vida, diminuindo a
sobrecarga nos serviços de saúde.
Referências
KOPILER, Daniel Arkader. Atividade
física na terceira idade. Rev Bras.
Med. Esporte. Vol. 3, Nº 4, 1997.
GUALANO B, TINUCC T. Sedentarismo,
exercício físico e doenças crônicas. Rev. bras. Educ. Fís. Esporte, São
Paulo, v.25, p.37-43, dez. 2011 N. esp. 39.
http://www.abcdasaude.com.br/medicina-esportiva/exercicios-na-terceira-idade
http://oglobo.globo.com/sociedade/saude/encontros-o-globo-saude-e-bem-
estar/exercicios-sao-os-maiores-aliados-na-terceira-idade-13995446
ARGENTO, Rene de Souza Vianello. Benefícios Da
Atividade Física Na Saúde E Qualidade De Vida Do Idoso. Acessado em file:///C:/Users/cleiso/Downloads/ArgentoRenedeSouzaVianello_TCC%20(1).pdf